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Investigadora do Departamento de Química distinguida com bolsa RESTART da FCT para estudar a origem precoce das doenças cardiovasculares

16-07-2026

A investigadora Susana P. Pereira, do Departamento de Química da NOVA FCT e da UCIBIO, foi distinguida com financiamento do competitivo Programa RESTART, da Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT), para desenvolver o projeto MetaHEART – Decoding Maternal Metabolism's Impact on the Offspring Heart.

O projeto pretende responder a uma questão que poderá transformar a forma como se encara a prevenção das doenças cardiovasculares: será que a saúde do coração começa a ser definida ainda antes do nascimento?

As doenças cardiovasculares continuam a ser a principal causa de morte em todo o mundo, sendo responsáveis por cerca de 20 milhões de mortes por ano. Embora a prevenção se tenha centrado, sobretudo, nos fatores de risco da idade adulta, como a hipertensão, a obesidade ou a diabetes, evidências científicas crescentes apontam para a importância do ambiente fetal na programação da saúde cardiovascular ao longo da vida.

É precisamente esta hipótese que o projeto MetaHEART irá investigar. A investigação procura compreender de que forma alterações no metabolismo materno durante a gravidez — como a obesidade, a diabetes gestacional ou uma nutrição inadequada — podem deixar uma "assinatura biológica" no coração do feto, influenciando o metabolismo cardíaco, a função das mitocôndrias e mecanismos associados ao envelhecimento cardiovascular, aumentando a suscetibilidade para doença em idade adulta.

Para responder a estas questões, a equipa recorrerá a um modelo de primata não humano, cuja gravidez e desenvolvimento cardiovascular apresentam elevada semelhança com os humanos. Trabalhos anteriores já demonstraram que alterações na nutrição materna provocam modificações precoces na bioenergética mitocondrial do coração fetal, com diferenças entre sexos que persistem ao longo da vida, bem como que alterações metabólicas constituem um dos primeiros sinais de envelhecimento cardíaco.

O projeto combinará técnicas de biologia molecular, fisiologia cardiovascular, bioenergética mitocondrial e abordagens multi-ómicas para identificar biomarcadores precoces de vulnerabilidade cardiovascular. Numa fase posterior, estes poderão ser validados em amostras humanas de sangue do cordão umbilical, aproximando a investigação fundamental da prática clínica.

"Durante décadas tentámos prevenir as doenças cardiovasculares quando os fatores de risco já estavam instalados. O nosso objetivo é perceber se parte dessa história começa antes do nascimento e, sobretudo, se conseguimos identificar essa vulnerabilidade muito antes de surgir a doença. Se compreendermos como o coração é 'programado' no início da vida, poderemos abrir caminho para estratégias de prevenção verdadeiramente precoces", explica Susana P. Pereira.

Criado pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia, o Programa RESTART apoia investigadores que regressam à atividade científica após um período de licença parental, promovendo a continuidade das suas carreiras e reconhecendo o impacto que a parentalidade pode ter no percurso científico.

Para Susana P. Pereira, este financiamento representa também um importante marco pessoal e profissional:

"Receber este financiamento tem um significado muito especial. Permite-me consolidar uma linha de investigação independente no UCIBIO numa fase particularmente desafiante da vida, conciliando o regresso à ciência com a maternidade. É um enorme incentivo para continuar uma missão científica que me acompanha há mais de uma década: compreender como os primeiros momentos da vida moldam a saúde cardiovascular das gerações futuras."

A investigadora destaca ainda a importância deste tipo de iniciativas para a comunidade científica:

"Espero que este programa incentive mais investigadores a não sentirem que têm de escolher entre construir uma família e construir uma carreira científica. A parentalidade muda-nos profundamente, mas não diminui a nossa capacidade de fazer ciência de excelência. Pelo contrário, muitas vezes reforça a nossa resiliência, criatividade e capacidade de liderança."

Esta distinção representa mais um reconhecimento da excelência da investigação desenvolvida pela Susana P. Pereira, investigadora do Departamento de Química da NOVA FCT, contribuindo para reforçar o impacto científico da instituição nas áreas da saúde cardiovascular e da medicina preventiva.