
Figura 3. Esquema de um instrumento- o polarímetro- para medir arotação do plano da luz polarizada provocada por uma substância opticamente activa (rotação óptica).
O ângulo alfa representa o desvioóptico e é, para uma dada substância, a uma dada temperatura t e para um dado comprimento de onda l, proporcional ao percurso atravessado pelo feixe no meio quiral (comprimento da célula em dm) e à concentração da solução atravessada pelo feixe (em g/ml). A correlação de todas estas variáveis é uma grandeza característica de cada composto opticamente activo e denomina-sepoder rotatório específico.
Sendo os enantiómeros imagens especulares um do outro, o desvio do plano da luz polarizada a é igual para ambos mas de sinal contrário. O responsável por uma rotação do plano da luz polarizada para a direita (+) é denominado dextrogiro ou dextro-rotatório e o seu antípoda (-) é denominado levogiro ou levo-rotatório.

Figura 4. A orientação dos pontos de interacção no local activo da enzima define a configuração correcta do substracto.
A investigação e os progressos de conhecimento e compreensão das relações entre quiralidade e actividade biológica podem considerar-se ainda nos seus primeiros passos e apenas são possíveis pelo desenvolvimento de técnicas analíticas adequadas, nomeadamente técnicas cromatográficas.

Uma vez que diasterómeros possuem propriedades físicas e químicas diferentes,a sua separação pode ser conseguida pelos métodos clássicos de separação, incluindo cromatografia. No entanto, sob o ponto de vista cromatográfico, este processo possui inconvenientes de alguma importância:
1- Requer transformação de um composto em outro (derivatização). A reacção para ambos os enantiómeros tem de ser completa.
2- É praticamente impossível obter um reagente enantiomericamente puro. A presença de contaminação por um dos enantiómeros do reagente quiral conduz a uma concentração relativa de derivados distereoméricos diferente das proporções reais dos dois enantiómeros originais.
3- As estruturas quirais susceptíveis de derivatização adequada são limitadas, isto é, o processo não é geral.
Todas estas limitações retardaram enormemente o desenvolvimento da compreensão das relações entre quiralidade e actividade biológica. A introdução e desenvolvimento explosivo de fases estacionárias quirais para cromatografia modificou drasticamente esta situação, fornecendo aos investigadores um poderosíssimo instrumento analítico para detecção, separação e quantificação de estereoisómeros ópticos. Os avanços nesta área são de transcendental importância em biologia e bioquímica, nutrição, investigação criminal e farmacologia.
A separação cromatográfica quiral baseia-se em levar os componentes de uma mistura a percorrer um meio adequado com o qual interactuam fisicamente(fase estacionária) arrastados por um fluido líquido (cromatografia líquida) ou gasoso (cromatografia gasosa) adequado (fasemóvel). Dos diferentes equilíbrios dinâmicos estabelecidos entre cada um dos componentes com ambas as fases móvel e estacionária resultam diferentes velocidades de percurso (tempo de retenção) para cada um que, deste modo, emergem do meio a tempos diferentes. A separação cromatográfica de isómeros ópticos em fases estacionárias quirais, resulta da formação reversível de complexos diastereoméricos de diferente estabilidade entre cada um dos enantiómeros constituintes de um par e a fase estacionária quiral (mais raramente a fase móvel). Tal resulta numa diferença de tempos de retenção e consequente separação. A Figura 5 ilustra a aplicação do método a algunsexemplos de relevância medicamentosa e nutricional:
Hexabarbital
Diltiazem
Oxazepam
Figura 5. Exemplos de separações enantioméricas por cromatografia líquida quiral