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3.4.- LIMITES ESPECIFICADOS À PRIORI

Outra possibilidade é a de as especificações estarem definidas através de limites máximos e mínimos, ( UP- upper specification; LP- lower specification).

limites à priori

Podemos deste modo definir a amplitude do intervalo de valores aceitáveis:

T= UP-LP

correspondendo a um modelo teórico cuja amplitude de variação é 6(±3). Um indicador da conformidade de resultados relativamente às especificações pode ser obtidos pelo índice Cp, que mede a capacidade do modelo subjacente aos dados se "inserir" nos limites de aceitação:

Cp = T/6gráfico de limites

O modelo para os valores inspeccionados pode ser testado, através de Cp, classificando-se a sua conformidade em relação às especificações impostas da seguinte forma:

Por este processo, uma vez que é estimado por S ou R , verificamos que podem surgir situações em que Cp=1 e no entanto, os resultados provêm de um modelo onde os limites são ultrapassados.

Para verificarmos o posicionamento da média relativamente aos limites, por um raciocinio análogo à determinação de Cp, obtemos um coeficiente para a média Cpk=min(Cs,Ci) onde Cs=(UP-) / 3 e Cs=( -LP)/ 3

Cp é sempre maior que Cpk, se o modelo está bem enquadrado então Cp=Cpk. Cpk será tão mais pequeno quanto mais descentrado estiver o modelo.

3.5.- CARTAS PARA PROCESSOS CONTÍNUOS - CARTAS-X E CARTAS PARA AMPLITUDES MÓVEIS

Estas cartas devem ser usadas para processos em que não é possível, ou não faz sentido o agrupamento dos dados. Neste caso os dados do histórico assim como os do periodo de inspecção, são individuais e não amostras de replicadas de dimensão k.

A carta é construida baseada em µ±3 e não µ±3

Um estimador para (µ será a média dos valores do histórico de dados e um estimador para será dado pela média das amplitudes móveis. As amplitudes móveis são obtidas pela diferença entre duas observações consecutivas. O factor de correcção é obtido para n=2.

Estas cartas designam-se por cartas-X (X-Charts) e Cartas para amplitudes móveis (moving R-charts)

Limites para as cartas-X: ±3/d2 ou seja ±3/1.128.

Limites para as cartas das amplitudes móveis: C1, C2 ou seja 0 a 3.268.

Exemplo: Controlo de um processo de polimerisação. Medição em termos percentuais da quantidade de monomero que não reagiu (impureza), de 4 em 4 horas durante 8 dias.
DiaTempoDadosAM
Amplitude móvel
100:000.17
04:000.240.07
08:000.060.18
12:000.140.08
16:000.200.06
20:000.310.11
200:000.130.18
04:000.110.02
08:000.160.05
12:000.170.01
16:000.130.04
20:000.160.03
3.........
=0.146=0.06
Limites de Controlo para a Carta-X: 0.015±(3x0.06)/1.128 =0 a 0.0306

Limites de contorlo para a carta de amplitude móvel: de 0 A 0.06x3.268= 0 A 0.196

As cartas X interpretam-se como as cartas , no entanto para as cartas de amplitude móvel só é possível identificar um processo fora de controlo quando os valores excedem os limites de detecção.

3.6.- CARTAS PARA SOMAS CUMULATIVAS (CUSUMS)

As cartas anteriores são baseadas num conjunto de observações individuais. Cada conjunto de valores, ou cada valor é inserido na carta individualmente e a sua relação com os outros pontos é determinada apenas pelo gráfico. Não é utilizada nenhuma estatística que envolva todos os dados anteriores. A carta para as frequências acumuladas pelo contrário, utiliza para coordenada na carta um valor que é função do resultado actual e dos resultados anteriores. Em vez de inserir na carta o valor da média j por exemplo, inscreve o valor da soma:

Sj=(1-k)+(2-k)+...+(j-k)=Sj-1+(j-k) em que k é o resultado pretendido.

Ou seja Sj representa o valor excedido em todos os grupos.

carta de somas cumulativas

a = Sj - Sj-1 = Sj-1 + (j-k) -Sj-1= (j-k)

b=intervalo de tempo entre as duas inspecções.

A razão incremental a/b representa o desvio relativo ao valor em objectivo K dos resultados obtidos no período de inspecção j. Logo um declive positivo ou negativo é medida de afastamento em relação ao objectivo.
A escolha da escala dos eixos deve ser feita de forma a que os desvios significativos sejam imediatamente identificáveis.
declive

O valor de sigma pode ser estimado por R/fcr. Assim com a escolha de uma escala no eixo das ordenadas igual a 2, correspondente a uma unidade no eixo das abcissas, resulta na indicação de um desvio 2. Se os dados observados forem relativos a n replicadas então a escala deverá ser 2/

rectas de diferentes declives

Como decidir se um dado declive corresponde ou não a um desvio significativo?

Um método comum e usualmente implementado nos programas de estatística é o da máscara em V (V-Mask). Este método consiste precisamente da construção de um ângulo de 2, graus cujo vértice está a uma distância "d" do último ponto.

carta cusum V-Mask

Quanto menor for e d mais sensível é a detecção. Os pontos fora da máscara indicam a partir de que período o declive é significativo, ou seja o afastamento e a tendência são relevantes. Pontos próximos da reta S=0 indicam um processo sobcontrolo. Esta carta permitenos simultaneamente controlar o factor tendencia e dispersão.

Copyright© Paula Amaral, Abril 1996

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