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3- CONTROLO DE QUALIDADE

Os testes descritos anteriormente, referiam-se em situações em que o fenómeno em estudo não interactuava com o referencial tempo, ou seja o estudo não era simultaneamente cronológico. É simples imaginar situações onde pelo contrário o processo a analisar deva ser monitorado ao longo do tempo. Situações deste tipo ocorrem em linhas de fabrico de produtos, estudos de conservação de materiais e máquinas, qualidade de serviços. Duma forma geral, controlo de qualidade refere-se a monitorização de um processo, cujos resultados de natureza quantitativa se devem encontrar dentro de determinados limites. Um processo está, em controlo, se os resultados estão em conformidade com os limites impostos, caso contrário o processo deve ser investigado para que sejam detectadas as causas do desvio. A "qualidade" pode referir-se a um valor fixo, que constitui o objectivo desejado, a conformidade da média, variância ou amplitude amostral relativamente a "limites normais". A avaliação do processo implica, que em certos intervalos de tempo se proceda a uma amostragem.

gráfico temporal

Para conhecer os limites que definem um processo em controlo, é necessário aceder a um histórico dos dados, que permitam estimar os parâmetros do modelo.

modelo de carta de frequênicas

As cartas de controlo são o processo mais usual para monitorar um processo. Estas sâo construidas baseadas num histórico do processo, em controlo, e possibilitam a supervisão do sistema. Por amostragens ao longo do tempo, obtêm-se conjuntos de dados, e calculam-se as estatísticas, (média, amplitude , variância), que são confrontadas com os limites das cartas. As cartas mais comuns são elaboradas para a média (X-CHART), e amplitude da amostra, (R-CHART). Serão ainda estudadas as cartas das somas cumulativas (CUSUM-CHARTS).

carta de controlo

3.1.- CARTAS DE CONTROLO PARA A MÉDIA (CHARTS)

Assumindo a normalidade dos dados, sabemos que cerca de respectivamente 68%, 95% e 99.7% encontram-se entre µ±; µ±2; µ±3;

Os parâmetros µ e podem ser estimados através da média e do desvio padrão, s, este último pode ser substituido pela amplitude amostral, R, ambos com uma determinada correcção. São estimadores de sigma , R/fcr ou S/fcs, onde fcr e fcs são os respectivos factores de correcção. Uma vez que os dados são obtidos por k replicadas de um conjunto de n amostras, os estimadores de µ e também podem ser estimados respectivamente a partir da média das n médias das replicadas, e da média dos n estimadores de , obtidos quer através do desvios padrões ou das amplitudes. O número de amostras deverá ser um valor entre 20 e 25. Os parâmetros para a distribuição das média são dados por µ e /.

equações e fórrmulas

Onde fc - factor de correcção- é obtido pela tabela seguinte:

n2345678910152025
fcr1.1281.6932.0592.3262.5342.7042.8472.9703.0783.4723.7353.931
fcs0.7980.8860.9210.9400.9520.9590.9650.9690.9730.9820.9870.990

Exemplo:
Pretende-se construir a carta de controlo para a média, relativa à produção de um xarope cujas expecificações incluem como substância activa B.

carta de média

Os dados para a construção da carta, devem ser eles próprios testados pela carta, e se o processo está de facto em controlo apenas 1 em 100 médias deverão encontra-se fora dos limites de aviso. Se um ou mais grupos de observações, entre os 20 ou 25 valores, estiverem fora dos limites, devem serem inspeccionados, e caso necessário excluídos do grupo inicial, ou substituidos por outros grupos de observações.

As cartas de controlo, também podem ser formuladas para garantir a qualidade num intervalo especificado de valores. Neste caso os limites para a média, são elaborados igualmente na prespectiva:

µ±3/

sendo os valores de µ e correspondentes a objectivos impostos. Suponhamos que ainda para o exemplo anterior, a substância B deva estar em conformidade com as especificações obrigatórias de 5,1±0.2%. Neste caso os limites de aviso seriam respectivamente para UCL, LCL de 5,1+3x0.2/; 5,1-3x0.2/ onde k é o número de replicadas da amostra. Se cada amostra de inspecção fosse constituida por 5 replicadas,os valores de UCL seriam 5.135 e para LCL 5.065 . Obteriamos deste modo a carta de controlo seguinte:

grafico de linhas de controlo

A linha quebrada representa as médias do histórico do exemplo anterior, inscritas nesta carta apenas para ilustrar as conclusões que se poderiam tomar, caso estes valores correspondessem a períodos de inspecção. O gráfico mostra claramente que a média dos valores de estão dentro dos limites de especificção, mas com um erro sistemático da média por excesso, uma vez que todos os valores médios se encontram acima da linha central.

3.2.- CARTAS DE CONTROLO PARA A AMPLITUDE (R- CHARTS)

Outro factor que é importante controlar é o que está relacionado com a dispersão dos dados, de forma a poder controlar a precisão dos resultados. Podem ser construidas cartas para o desvio padrão, ou para a amplitude, que como vimos são grandezas que estão relacionadas, exigindo esta última cálculos mais simples. Básicamente a metodologia é a mesma desenvolvida para as cartas da média. Uma vez estimado o valor médio e o desvio padrão para R, os limites de detecção são do tipo

µRmédio±3Rmédio

onde µRmedio é o valor médio da distribuição da média de amplitudes de k replicadas e Rmédio o desvio padrão. Estes parâmetros são estimados respectivamente por:

Assim os limites, podem ser escritos abreviadamente na forma:

±constante x [(1+constante), (1-constante) ]= [ .C1, .C2].

Estas constantes pode ser obtida por tabelas, para cada valor de k- número de replicadas

k2345678
C1000000.0760.136
C23.2682.5742.2822.1142.0041.9241.846

Para os dados do exemplo anterior obtemos:
Limite inferior = 0 , limite superior = 0.015x 2.574 = 0.03861

Como se pode verificar existe um valor que se encontra fora dos limites, pelo que a carta deveria ser recalculada omitindo esse grupo de observações.

carta de amplitude corrigida

3.3.- COMO INTERPRETAR AS CARTAS DE CONTROLO

As cartas para a média e amplitude devem ser interpretadas simultâneamente, uma vez que a primeira dá indicações sobre a tendência e a segunda sobre a dispersão. Existem várias regras básicas para interpretar as cartas de controlo, de forma a identificar situações anómalas, além do muito óbvio, ou seja quando os valores se encontram fora dos limites de aviso. Neste caso acções imediatas devem ser tomadas a começar pela observação em intervalos mais pequenos, ou seja sucessivas observações de imediato, para confirmar se os valores eram errados, ou se se trata de efectiva falha no sistema.

cartas para média e amplitude

Situações menos óbvias mas que levantam suspeições, referem-se a observações dentro dos limites mas com comportamentos fora do esperado, como sejam:

cartas comparativas de controlo

Copyright©Paula Amaral, Abril 1996

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